O XVII Encontro Nacional da Federação Brasileira de Associações Socioeducacionais de Adolescentes (FEBRAEDA) terminou neste sábado (31), em São Paulo, após três dias de atividades dedicadas à troca de experiências e à discussão dos desafios da socioaprendizagem no Brasil. O Instituto Promover (IPHAC) participou da programação por meio de Fernanda Carvalho, consultora de vendas do polo de São Paulo.
Realizado entre 29 e 31 de outubro, o encontro reuniu representantes de organizações sociais, especialistas e profissionais ligados à aprendizagem profissional. Com o tema “Construindo a Próxima Era da Socioaprendizagem”, a edição abordou políticas públicas, legislação, desenvolvimento humano, gestão e sustentabilidade institucional.
Na sexta-feira (30), segundo dia de programação, os debates concentraram-se em questões que influenciam diretamente a formação e a inserção de adolescentes e jovens no mundo do trabalho.
Políticas públicas e ampliação das oportunidades
Um dos principais temas foi o futuro da política pública de aprendizagem profissional, apresentado por João Victor Motta, diretor do Departamento de Políticas de Trabalho para a Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A discussão abordou estratégias para ampliar o acesso dos jovens aos programas de aprendizagem, especialmente nos municípios do interior, onde o descumprimento das cotas legais ainda representa um desafio. A possibilidade de ampliar a oferta de vagas na administração pública também esteve entre os assuntos apresentados.
Outro ponto importante foi a necessidade de fortalecer o acompanhamento psicossocial e familiar dos aprendizes. A proposta considera que a permanência dos jovens nos programas depende não apenas da formação técnica, mas também de condições de acolhimento e suporte durante sua trajetória.
As próximas atualizações normativas, incluindo questões relacionadas à Portaria nº 3.872 e ao Catálogo Nacional da Aprendizagem Profissional (CONAP), também integraram o debate.
Formação profissional e combate à evasão
A permanência dos jovens nos programas de aprendizagem foi abordada por Barbara Pompeo, gerente nacional do ISBET, na palestra “Energia que Transforma Vidas”.
A apresentação destacou a importância de alinhar os cursos às necessidades reais das empresas e desenvolver as potencialidades dos participantes. Entre as estratégias discutidas estiveram a oferta de formação direcionada às áreas-fim das organizações, a valorização da diversidade e a inclusão.
O acompanhamento socioemocional também foi apontado como um fator importante para reduzir a evasão. Nesse sentido, a aprendizagem profissional precisa considerar tanto a preparação para o mercado quanto os desafios pessoais e sociais enfrentados pelos jovens.
Desenvolvimento humano e sustentabilidade institucional
A programação também trouxe reflexões sobre desenvolvimento pessoal. Na palestra “Espiritualidade e Posse de Si Mesmo”, Fernando Alves, da Rede Cidadã, destacou o autoconhecimento como condição para que as pessoas assumam o protagonismo das próprias escolhas e transformem suas atitudes.
Já os impactos da Reforma Tributária sobre as instituições filantrópicas foram discutidos pelo advogado e ativista social Thiago Cabral, representante da FEBRAEDA. A apresentação abordou os possíveis efeitos das mudanças na tributação sobre o consumo para as organizações do terceiro setor.
Entre os pontos de atenção está o aumento dos custos operacionais diante da impossibilidade de recuperação de determinados créditos tributários relacionados às aquisições de produtos e serviços. A questão é relevante para entidades que dependem de recursos destinados à manutenção de projetos e atendimentos sociais.
Troca de experiências para fortalecer a socioaprendizagem
Além dos painéis e das trilhas de conhecimento realizados nos dias 29 e 30, o encontro teve, no sábado (31), uma programação de integração e imersão cultural pela capital paulista, encerrando a edição de 2026.
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