No mês do Dia da Consciência Negra, quando o Brasil é convidado a refletir sobre identidade, memória e luta contra o racismo, Vitória (ES) ganha destaque nacional ao abrigar um núcleo especializado no recorte racial: o Odomodê, que significa juventude em Iorubá (povos da África Ocidental).
Localizado na região São Pedro, o Odomodê é um dos equipamentos do polo do Instituto Promover (IPHAC) em Vitória (ES), que conta também com o Centro da Juventude. Com duas décadas de atuação, o núcleo se consolidou como referência em ações voltadas à comunidade negra, educação antirracista e fortalecimento das juventudes periféricas.
Debates sobre cotas e acesso à universidade
Com a proximidade do Enem e o crescimento das discussões sobre políticas afirmativas, o Odomodê recebeu recentemente o grupo Quilombagem, organização reconhecida por sua atuação nacional na luta pelos direitos da população negra. O encontro reuniu jovens, educadores e lideranças para um debate direto com representantes da UFPE, discutindo cotas raciais, critérios de acesso e os desafios persistentes para estudantes negros na educação superior.
A troca colocou em pauta questões fundamentais: quem pode acessar a política de cotas, como funciona a autodeclaração, o papel da universidade e a importância do reconhecimento da identidade negra diante das desigualdades históricas. Para muitos jovens presentes, o momento foi decisivo para entender seus direitos e projetar caminhos possíveis rumo ao ensino superior.
Espaço de resistência, memória e futuro
Ao completar 20 anos, o Odomodê reafirma seu lugar como espaço essencial de resistência no Espírito Santo. Em um país onde a juventude negra ainda enfrenta altos índices de violência, desemprego e exclusão, iniciativas como essa fazem diferença direta na vida das comunidades.
O coordenador do Odomodê, Ademir Júnior, lembra que a Juventude entre 15 e 20 anos é a mais exterminada e as maiores vítimas da violência policial. “Por isso é tão importante espaços como esses”.
Mais do que um núcleo, o Odomodê se tornou um símbolo: o de que a construção de uma sociedade mais justa passa pelo reconhecimento da cultura negra, pela valorização das ancestralidades e pelo combate cotidiano ao racismo estrutural.
Com o Odomodê, no polo do IPHAC em Vitória, o Dia da Consciência Negra, Vitória (ES) não é apenas uma data. É um movimento que transforma os caminhos para que a juventude negra possa existir, resistir e sonhar”, comemora o presidente do Iphac, Valdinei Valério.
O polo promove várias oficinas voltadas aos jovens. Entre elas estão o Varal Solidário, a Tarde de Cria, exibição de filmes, aulas de inglês e oficinas de leitura e escrita, atividades que fortalecem vínculos e ampliam oportunidades. O Odomodê já tem programação nova. Trata-se do Afromix, que será no dia 6 de dezembro, com atividades de grafite e cinema.
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