O Instituto Promover (IPHAC) celebrou, neste dia 23 de junho, o Dia Olímpico com uma programação especial que reuniu participantes de diversas unidades da instituição em todo o Brasil para refletir sobre os valores do esporte, da educação e da cidadania. A iniciativa integra as ações da Carteira Olympism365 “Esporte, Educação e Meios de Subsistência”, promovida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e liderada pela Fundação SES.
A parceria internacional reúne organizações da América Latina, Caribe e Europa com o objetivo de utilizar o esporte como ferramenta de desenvolvimento social, inclusão e formação de jovens. Durante a atividade, transmitida ao vivo para diferentes polos do IPHAC, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a trajetória da atleta Luiza Lopes, arremessadora de peso, terceira colocada no ranking brasileiro da modalidade e líder estadual em sua categoria.
Mais do que compartilhar conquistas esportivas, Luiza apresentou aos jovens os Valores Olímpicos — Excelência, Respeito e Amizade — e mostrou como esses princípios podem ser aplicados em diferentes áreas da vida.
Valores olímpicos além das competições
Ao longo do encontro, a atleta destacou que os ensinamentos do esporte ultrapassam os limites das quadras, pistas e campos.
“Os valores olímpicos foram instituídos quando eles foram criados, que é excelência, que é dar o melhor de si todos os dias, não só dentro do esporte como fora também. Respeito, respeitar adversários, treinadores e colegas. E também amizade, que é criar laços e aprender com pessoas diferentes”, explicou.
De acordo com ela, esses princípios ajudam a formar cidadãos mais responsáveis e preparados para enfrentar desafios pessoais, acadêmicos e profissionais.
“Não é preciso ser atleta para viver os valores olímpicos. Eles podem ser aplicados na escola, no trabalho, em casa e em qualquer desafio da vida.”
Disciplina, persistência e saúde mental
Durante a conversa, Luiza ressaltou que o sucesso esportivo não depende apenas do treinamento físico. Para ela, a preparação mental é um dos pilares mais importantes para quem deseja alcançar objetivos de longo prazo.
A atleta relatou que muitos talentos acabam abandonando suas carreiras porque não conseguem lidar com a pressão, as derrotas ou as dificuldades encontradas no caminho.
“Às vezes a nossa mente sabota. A gente passa a não acreditar que vai dar certo. E quando a gente não acredita que vai dar certo, realmente não dá certo.”
Ela explicou aos participantes que desenvolver a confiança, a disciplina e a persistência é fundamental para superar obstáculos.
“Se nós não tivermos trabalho, disciplina e persistência, a gente não vai chegar em lugar nenhum.”
A atleta também destacou que o esporte de alto rendimento exige preparação constante para enfrentar situações imprevisíveis.
“Um dia de sol é fácil competir, mas e quando está chovendo? A gente tem que saber lidar com a pressão da chuva, porque o nosso ambiente é externo. Então saber lidar com a nossa mente é muito importante.”
Os desafios financeiros da carreira esportiva
Um dos momentos mais marcantes da atividade ocorreu quando os jovens perguntaram sobre as maiores dificuldades enfrentadas por ela ao longo da carreira.
Luiza foi sincera ao abordar a realidade de muitos atletas brasileiros e explicou que a questão financeira ainda é um dos principais desafios do esporte nacional.
“Quando a gente começa, a gente não tem toda essa estrutura. Muitas vezes eu tive que competir fora do estado e fazer rifas para conseguir recursos para ter uma estrutura adequada, um alojamento adequado e uma alimentação adequada.”
Ela relatou que, atualmente, recebe apoio por meio de bolsa-atleta e consegue viver do esporte, mas que nem sempre foi assim.
“Antigamente eu tinha que trabalhar. Eu trabalhava meio período pela manhã e treinava à tarde. Era um trabalho braçal muito puxado, que acabava desgastando bastante.”
De acordo com a atleta, muitos jovens acabam desistindo dos seus sonhos justamente por não conseguirem conciliar trabalho, treinamento e custos das competições.
“Infelizmente essa é a realidade de muitos atletas hoje em dia. Muitas pessoas param de treinar e desistem do sonho olímpico por conta financeira.”
Luiza também chamou atenção para a diferença de investimento entre o Brasil e outros países. “Quando a gente vê equipes de fora, percebemos que existe muito mais incentivo, estrutura e apoio. Aqui ainda é muito difícil.”
O papel da família e da rede de apoio
Outra questão levantada pelos participantes foi sobre a importância do apoio familiar na construção de uma carreira esportiva.
Para Luiza, esse suporte foi determinante para sua trajetória. “Graças a Deus eu tive muito apoio. Minha família hoje me apoia muito. Tudo que eu preciso eles apoiam esse sonho junto comigo.”
A atleta destacou que o incentivo recebido de familiares, professores e pessoas próximas ajudou a manter sua motivação nos momentos mais difíceis.
“Muita gente não consegue chegar lá por falta de apoio. Então essa é uma parte muito essencial e muito importante.”
Trabalho em equipe dentro de um esporte individual
Embora o arremesso de peso seja considerado uma modalidade individual, Luiza explicou aos jovens que nenhuma conquista acontece sozinha.
Ela apresentou um pouco da estrutura que existe por trás de um atleta de alto rendimento e falou sobre a importância de profissionais que contribuem diariamente para os resultados alcançados.
“Eu conto com a minha treinadora, uma equipe multidisciplinar, psicóloga para trabalhar a nossa mente, fisioterapeuta, além de várias pessoas que ajudam a gente a estar no nosso melhor.”
A atleta também ressaltou a importância das amizades construídas ao longo da carreira. “Embora o atletismo pareça um esporte individual, ninguém conquista nada sozinho.”
Como exemplo, ela citou a conquista recente de uma medalha nacional ao lado de outros integrantes de sua equipe.
Sonho olímpico e planos para o futuro
Questionada sobre seus objetivos para os próximos anos, Luiza foi enfática ao afirmar que seu maior sonho continua sendo representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. “Meu sonho é chegar nas Olimpíadas. Se Deus quiser, em 2028 eu vou estar lá.”
Ela explicou que cada competição, cada treinamento e cada conquista servem como combustível para continuar perseguindo esse objetivo. “O que mais me motiva é saber do meu sonho, do meu foco, da minha meta e do meu objetivo.”
Ao mesmo tempo, a atleta demonstrou preocupação com a construção de uma carreira sólida para além do esporte.
Atualmente cursando Educação Física, ela pretende concluir a graduação e buscar novas oportunidades acadêmicas.
“Eu pretendo me graduar e ser uma profissional de qualidade. Quero finalizar essa graduação e também estudar nos Estados Unidos.”
Para os jovens participantes, ela deixou uma mensagem importante sobre dedicação e perseverança.
“Não existe garantia de sucesso. Não é porque você treina todos os dias que necessariamente vai conseguir chegar lá. Mas é importante continuar treinando, se dedicando e acreditando.”
Perguntas dos jovens aproximam realidades
A atividade também foi marcada pela participação ativa dos adolescentes e jovens das unidades do IPHAC, que enviaram perguntas de diferentes regiões do país.
Participantes de Brasília, Goiânia e Nova Contagem questionaram a atleta sobre temas como motivação, preconceitos no esporte, dificuldades financeiras, acesso ao treinamento esportivo e planejamento profissional.
Em uma das respostas, Luiza explicou que começou a treinar em um projeto vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas que qualquer pessoa interessada pode buscar oportunidades semelhantes.
“É um projeto à parte. Quando eu conheci, ainda estava no ensino médio. Qualquer pessoa pode procurar e participar dos treinamentos.”
A interação proporcionou um momento de diálogo direto entre a atleta e os jovens, aproximando diferentes realidades por meio do esporte. “A gente trouxe a ideia do movimento do esporte pra gente, e assim entender que o esporte faz diferença na vida do jovem”, acrescentou Giovana, uma das participantes.
Medalhas, histórias e inspiração para o futuro
Ao final do encontro, Luiza apresentou algumas de suas medalhas e também o calçado específico utilizado nas competições de arremesso de peso.
Enquanto os participantes observavam os objetos, a atleta reforçou que cada conquista carrega uma história de dedicação, sacrifício e aprendizado.
Ela encerrou sua participação compartilhando uma mensagem inspiradora que sintetizou o espírito do Dia Olímpico. “Sonhos só se tornam realidade quando são acompanhados de trabalho, disciplina e persistência.”
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